Sistemas Digitais · Ibmec RJ

Cap. 10 — Aplicações com
Flip-Flops: Registradores

leitura ~25 min Prof. Clayton J A Silva Rev 2026.1

Objetivos de aprendizagem

  • Converter um Flip-Flop JK em FF D e em FF T por meio das entradas J e K
  • Projetar registradores de deslocamento (shift registers) com FF D e FF JK
  • Controlar assincronamente um shift register com sinal de enable
  • Projetar registradores paralelos e interpretar seu diagrama de temporização

Convertendo diferentes Flip-Flops

O Flip-Flop JK é o mais versátil dentre os tipos estudados — a partir dele, é possível obter o comportamento de outros tipos de Flip-Flop simplesmente conectando suas entradas J e K de forma adequada.

10.1.1 Convertendo Flip-Flop JK em Flip-Flop D

Analisando o comportamento dos Flip-Flops:

Conversão FF JK para D

Fig. 10.1 — Comparação de comportamento: FF D desejado vs. FF JK disponível

conversão JK → D

Para que o FF JK se comporte como um FF D

Basta conectar a entrada E (equivalente à entrada D) diretamente a J, e seu complemento a K:

J = E · K = Ē

Quando E=1: J=1, K=0 → seta a saída em 1 (igual ao FF D com D=1). Quando E=0: J=0, K=1 → reseta a saída em 0 (igual ao FF D com D=0).

Circuito resultante FF JK para D

Fig. 10.2 — Circuito resultante: FF JK operando como FF D

10.1.2 Convertendo Flip-Flop JK em Flip-Flop T

Analisando o comportamento dos Flip-Flops:

Conversão FF JK para T

Fig. 10.3 — Comparação de comportamento: FF T desejado vs. FF JK disponível

conversão JK → T

Para que o FF JK se comporte como um FF T

Diferente da conversão para D, aqui é necessário que J e K recebam o mesmo valor — a entrada T é conectada simultaneamente a ambas:

J = T = K = T

Quando T=0: J=K=0 → o JK mantém a saída (igual ao FF T com T=0). Quando T=1: J=K=1 → o JK inverte a saída (igual ao FF T com T=1, toggle).

Circuito resultante FF JK para T

Fig. 10.4 — Circuito resultante: FF JK operando como FF T

A conversão JK→T é a base de construção de contadores: basta conectar J=K=1 permanentemente para que o FF alterne de estado a cada pulso de clock.

Registradores de deslocamento (Shift Registers)

Os registradores de deslocamento armazenam bits em células que são transferidos a cada transição de clock. Um registrador de n bits armazena $b_{n-1}b_{n-2}\ldots b_0$. Utiliza-se um banco de n Flip-Flops cascateados, cada um armazenando um bit.

Shift Register com FF D

Fig. 10.5 — Shift register de 4 bits com FF D

Utilizando um banco de FF JK, também é possível construir um registrador de 4 bits:

Shift Register com FF JK

Fig. 10.6 — Shift register de 4 bits com FF JK

Observe que a entrada de clock utiliza gatilhamento pela transição negativa do sinal de clock.

Em um diagrama de temporização, observa-se o seguinte comportamento:

Diagrama de temporização do Shift Register

Fig. 10.7 — Diagrama de temporização do shift register

Controle assíncrono com enable

Para controlar assincronamente a operação do shift register, conecta-se uma porta AND a um sinal de ENABLE em cada célula de memória:

Shift Register com FF JK e enable

Fig. 10.8 — Célula de memória do shift register com controle enable

características operacionais

Os shift registers operam para a transferência serial de dados de um barramento de entrada para um de saída. O número de Flip-Flops representa a memória do registrador — quantos bits podem ser armazenados. O primeiro bit carregado será perdido conforme novos bits são deslocados.

Registradores paralelos

Os registradores paralelos armazenam bits em células que são transferidos a cada transição de clock — assim como os shift registers. Um registrador de n bits armazena $b_{n-1}b_{n-2}\ldots b_0$, utilizando um banco de n Flip-Flops paralelos, cada um armazenando um bit.

Registrador paralelo com FF D

Fig. 10.9 — Registrador paralelo de 4 bits com FF D

Um diagrama de temporização pode ser dado por:

Diagrama de temporização do registrador paralelo

Fig. 10.10 — Diagrama de temporização do registrador paralelo

Diferença-chave: no registrador paralelo, todos os bits são carregados e lidos simultaneamente (entrada e saída paralelas); no shift register, os bits são transferidos serialmente, um por vez, a cada clock.

Teste seus conhecimentos

? Pergunta 1 de 3

Para converter um FF JK em FF D, qual conexão é necessária?

? Pergunta 2 de 3

Para converter um FF JK em FF T, qual conexão é necessária?

? Pergunta 3 de 3

Qual é a principal diferença entre um shift register e um registrador paralelo?

Para ir além

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