Sistemas Digitais · Ibmec RJ
Objetivos de aprendizagem
7.1 / conceito
Antes da definição formal, vale observar o comportamento do circuito abaixo, composto por duas portas AND, uma porta OR e um inversor:
Fig. 7.0 — Circuito de motivação: qual é o comportamento da saída Z?
Os circuitos multiplexadores são também chamados de seletores de dados. São circuitos lógicos que aceitam vários dados de entrada e selecionam um deles em um determinado instante. Atuam como uma chave digital.
tipos de entrada
Possuem entradas de dados e entradas de seleção (ou de endereço). Possuem uma única saída.
Fig. 7.1 — Circuito multiplexador (visão em chave digital: o código das entradas de seleção determina qual entrada é transmitida para a saída Z)
Analisando um multiplexador com duas entradas de dados — é suficiente uma entrada seletora. A tabela-verdade do circuito:
| I1 | I0 | S | Z |
|---|---|---|---|
| 0 | 0 | 0 | 0 |
| 0 | 0 | 1 | 0 |
| 0 | 1 | 0 | 1 |
| 0 | 1 | 1 | 0 |
| 1 | 0 | 0 | 0 |
| 1 | 0 | 1 | 1 |
| 1 | 1 | 0 | 1 |
| 1 | 1 | 1 | 1 |
Por inspeção: quando S=0, a saída é igual a $I_0$; quando S=1, a saída é igual a $I_1$. A tabela pode ser simplificada:
| S | Z |
|---|---|
| 0 | I0 |
| 1 | I1 |
A expressão lógica resultante é:
Similarmente, pode-se projetar um multiplexador de 4 entradas. Utilizando portas lógicas, obtém-se o circuito da figura:
Fig. 7.2 — Multiplexador de 4 entradas, selecionado por S1S0
Generalizando para um multiplexador de 4 entradas, a tabela-verdade simplificada é:
| S1 | S0 | Saída |
|---|---|---|
| 0 | 0 | Z = I0 |
| 0 | 1 | Z = I1 |
| 1 | 0 | Z = I2 |
| 1 | 1 | Z = I3 |
7.2 / ci de multiplexação
Fig. 7.3 — CI 74151, multiplexador de 8 entradas
O CI 74151 possui uma entrada de controle enable ($\bar{E}$). A tabela-verdade relativa ao CI:
| Ē | S2 | S1 | S0 | Z̄ | Z |
|---|---|---|---|---|---|
| H | X | X | X | H | L |
| L | L | L | L | Ī0 | I0 |
| L | L | L | H | Ī1 | I1 |
| L | L | H | L | Ī2 | I2 |
| L | L | H | H | Ī3 | I3 |
| L | H | L | L | Ī4 | I4 |
| L | H | L | H | Ī5 | I5 |
| L | H | H | L | Ī6 | I6 |
| L | H | H | H | Ī7 | I7 |
Além da saída Z, o CI possui uma saída invertida ($\bar{Z}$) do sinal multiplexado.
O datasheet completo do 74151 → apresenta os detalhes elétricos e mecânicos do CI, além das entradas e saída lógicas.
7.3 / aplicações com multiplexadores
Os multiplexadores podem ser usados em aplicações específicas, como:
Fig. 7.4 — Conversor paralelo-série com multiplexador
A conversão pode ser assíncrona (um circuito ou pessoa ativa a sequência manualmente) ou síncrona — operando automaticamente conforme um sinal de clock, alimentando as entradas seletoras por meio de um contador paralelo síncrono.
Fig. 7.5 — Saída de um contador paralelo síncrono
Esses sinais são gerados por contadores paralelos — produzem os bits simultaneamente, podendo operar em contagem crescente ou decrescente:
| Contagem | B | A | Clock |
|---|---|---|---|
| 0 | 0 | 0 | 0 |
| 1 | 0 | 0 | 1 |
| 2 | 0 | 1 | 0 |
| 3 | 0 | 1 | 1 |
| 4 | 1 | 0 | 0 |
| 5 | 1 | 0 | 1 |
| 6 | 1 | 1 | 0 |
| 7 | 1 | 1 | 1 |
A figura ilustra o mux como conversor paralelo-série síncrono, utilizando o sinal de um contador paralelo. O sinal de clock pode alimentar a entrada seletora menos significativa:
Fig. 7.6 — Conversor paralelo-série síncrono
Fig. 7.7 — Gerador de funções com multiplexador
princípio de funcionamento
As entradas seletoras são as variáveis booleanas independentes da função. Cada combinação das entradas corresponde à conexão da entrada de dados com 0 ou 1.
A tabela-verdade referente à função obtida pelo circuito:
| A | B | C | Z |
|---|---|---|---|
| 0 | 0 | 0 | 0 |
| 0 | 0 | 1 | 1 |
| 0 | 1 | 0 | 1 |
| 0 | 1 | 1 | 0 |
| 1 | 0 | 0 | 0 |
| 1 | 0 | 1 | 0 |
| 1 | 1 | 0 | 0 |
| 1 | 1 | 1 | 1 |
Na prática, o mux de 8 entradas (ex.: 74HC151) implementa diretamente qualquer função de 3 variáveis: basta conectar cada entrada de dados ($I_0$ a $I_7$) a 0 (terra) ou 1 (Vcc, via resistor de pull-up) de acordo com a linha correspondente da tabela-verdade, e ligar as variáveis booleanas A, B, C às entradas seletoras $S_0, S_1, S_2$.
Fig. 7.7b — 74HC151 fiação fixa implementando uma função de 3 variáveis (exemplo: linhas 011 e 111 em nível alto)
7.4 / demultiplexador
Os demultiplexadores realizam a operação inversa do mux.
Fig. 7.8 — Demultiplexador
Algumas operações propiciadas pelo demux são inversas às do multiplexador, como o conversor série-paralelo:
Fig. 7.9 — Conversor série-paralelo com demultiplexador
Assim como no mux, a conversão pode ser assíncrona (sinais de seleção variando manualmente, controlados por um circuito controlador) ou síncrona, com os bits seletores $S_2S_1S_0$ alimentados por um contador paralelo síncrono, referenciado pelo sinal de clock:
| Contagem | C | B | A |
|---|---|---|---|
| 0 | 0 | 0 | 0 |
| 1 | 0 | 0 | 1 |
| 2 | 0 | 1 | 0 |
| 3 | 0 | 1 | 1 |
| 4 | 1 | 0 | 0 |
| 5 | 1 | 0 | 1 |
| 6 | 1 | 1 | 0 |
| 7 | 1 | 1 | 1 |
checkpoint
Para multiplexar 8 entradas de dados, quantas entradas seletoras são necessárias no mínimo?
No 74151, quando Ē = H (nível alto), o que ocorre?
No mux usado como gerador de funções, o que representam as entradas seletoras?
referências e aprofundamento